Moeve e ENSO aliam-se para acelerar a descarbonização industrial através da biomassa e dos gases renováveis

Carlos Aguilera, Moeve y Elias Hernandez, ENSO
  • As empresas vão colaborar para transformar instalações industriais que utilizam sistemas de cogeração baseados em combustíveis fósseis em modelos energéticos com menor intensidade carbónica e mais competitivos.
  • A colaboração vai impulsionar o desenvolvimento de gases renováveis, desde a conversão de centrais de biogás em biometano até à produção de e-fuels através da valorização de CO₂ biogénico.
  • Através da ‘Moeve decarbonize’, a empresa reforça o seu catálogo de soluções para a indústria e outros clientes B2B, incorporando a experiência da ENSO em bioenergia, cogeração e produção térmica renovável.
  • A iniciativa responde à visão partilhada de que a descarbonização é um vetor-chave de competitividade, capaz de gerar poupança e investimento sustentável.

A Moeve e a ENSO, grupo especializado no desenvolvimento de soluções energéticas renováveis a partir de biomassa, chegaram a acordo para impulsionar a descarbonização industrial através do desenvolvimento de alternativas energéticas que permitam substituir progressivamente os combustíveis fósseis.

Desta forma, irão oferecer alternativas para processos industriais intensivos em energia, em setores como o químico, o do papel e cartão ou o da alimentação e bebidas, caracterizados por uma elevada procura de vapor e energia térmica e que atualmente dispõem de sistemas de produção alimentados a carvão, gás natural e outros combustíveis fósseis.

Para além de transformar essas instalações em modelos baseados em biomassa avançada, a aliança abre também novas oportunidades no desenvolvimento de gases renováveis: desde a conversão de centrais de biogás em biometano até ao potencial desenvolvimento de e-fuels (RFNBO), através da utilização do CO₂ biogénico gerado nas instalações de bioenergia. A sua captura e valorização abre a possibilidade de o converter numa nova matéria-prima. Neste âmbito, a Moeve poderá participar como potencial offtaker das novas moléculas verdes produzidas, complementando as capacidades da ENSO em produção renovável e captura de carbono biogénico.

A ENSO já conta com experiência nesta integração tecnológica na sua central bioelétrica de Garray (Sória), que foi a primeira central bioelétrica em Espanha a integrar um sistema de captura e valorização de CO₂ alimentar de origem 100% renovável.

Uma aliança para promover a competitividade da indústria

O objetivo de ambas as empresas é acompanhar as empresas industriais na transformação dos seus sistemas energéticos através de projetos destinados a gerar poupança, reduzir emissões e aumentar a segurança energética, facilitando ao mesmo tempo os investimentos necessários para os tornar realidade.

Elías Hernández, CEO da ENSO, afirmou: “A indústria precisa de soluções que lhe permitam avançar na descarbonização aumentando a sua competitividade. Acreditamos que ambas as coisas podem e devem fazer parte da mesma equação. A nossa capacidade para investir, construir e operar grandes infraestruturas de bioenergia, aliada às capacidades e ao alcance da Moeve, permitir-nos-á transformar oportunidades de descarbonização em projetos reais que gerem poupança e valor a longo prazo para os nossos clientes.”

Por sua vez, Carlos Aguilera, responsável pelo desenvolvimento comercial da Moeve decarbonize, destacou: “Este acordo permite-nos continuar a avançar no impulso às moléculas verdes como solução real para a descarbonização de setores intensivos em energia. Através da nossa proposta ‘Moeve decarbonize’, e apoiando-nos no sólido percurso da ENSO, ofereceremos um leque mais amplo de soluções energéticas aos nossos clientes industriais, combinando calor, eletricidade e gases renováveis nos processos em que a eletrificação nem sempre é viável.”

Descarbonizar para melhorar a competitividade industrial

Esta aliança combina a experiência da ENSO no desenvolvimento, financiamento, construção e operação de projetos de bioenergia com as capacidades da Moeve no fornecimento energético e no desenvolvimento e comercialização de moléculas verdes.

A colaboração responde à visão partilhada por ambas as entidades de que a competitividade e a descarbonização avançam lado a lado no desenvolvimento industrial. A transformação energética exige investimentos relevantes, mas representa também uma oportunidade para modernizar os ativos industriais, reduzir a exposição à volatilidade dos mercados energéticos e melhorar os custos de produção a longo prazo.

Este modelo permite abordar projetos energéticos de grande escala e complexidade e facilita que as empresas industriais possam investir em eficiência e sustentabilidade sem comprometer recursos da sua atividade principal, explorando inclusivamente modelos de coinvestimento em ativos que acelerem a transição.

O acordo surge, além disso, num momento relevante para a cogeração em Espanha, perante os próximos leilões previstos para esta tecnologia. Este novo ciclo de investimento pode representar uma oportunidade para que numerosas indústrias renovem os seus sistemas de produção e avancem para soluções mais eficientes e com uma menor pegada de carbono.

Com esta aliança, a Moeve e a ENSO reforçam o seu compromisso com a transformação energética da indústria através de soluções concretas, financiáveis e adaptadas às necessidades de cada instalação, especialmente nos processos em que a elevada procura térmica torna mais complexa a substituição dos combustíveis fósseis.